Quase - a capa e o conceito
Quem deu o furo (ui!) foi o blog Fator 46, e a gente confirma aqui: esta é a capa do novo disco dos Ecos Falsos, "Quase".
Se não enxergar de primeira, a dica é inclinar o monitor (cuidado pra não derrubar).
E, abaixo, segue a recém-formatada PROPOSTA CONCEITUAL do disco. Não é bem um release, mas dá uma ideia da intenção. Vejam o que acham:
O segundo disco dos Ecos Falsos vai se chamar “Quase”. A auto-ironia logo no título não é exatamente novidade – vide “Descartável Longa Vida”, de 2007 –, mas aponta para uma nova direção: se antes era um comentário sobre o quanto é possível durar uma banda que estreava em pleno século da distração, agora fala sobre um grupo que já viveu o suficiente para ter uma medida de suas conquistas. Ou quase-conquistas...
“Quase” pode ser uma constatação de que algo por pouco não aconteceu, mas também de que está prestes a acontecer. Melancolia ou esperança, dependendo do estado de espírito. E o disco engloba essa ambigüidade: traz músicas alegres e cantáveis, que colocam a banda mais próxima da possibilidade de expandir seu público, mas também carrega experimentações e letras inspiradas na suspeita de que bem, os sonhos podem não se realizar por completo, e aí?
Num mundo com síndrome de juventude eterna e psicose de vitória, é preciso um bocado de honestidade para admitir que “quase” se conseguiu algo. Por trás de todo humor e ironia, os Ecos Falsos nunca esconderam que são humanos, e isso está mais aparente do que nunca. As canções falam sobre relacionamentos que quase dão certo, sobre como é difícil se comunicar de verdade com alguém, sobre pessoas que perdem a hora e quase põem tudo a perder.
Algo distante de temas como o amor sem limites, a dor sem limites, o hedonismo sem limites – já reparou que às vezes parece que vivemos num país de atletas olímpicos? Todo mundo é radical, profundo, moderno e confiante. Bem, os Ecos Falsos só garantem que são observadores, e sua música é produto dessa curiosidade. De super-heróis o mundo já está cheio.
Coletivo e otimista
Despretensão aqui não significa, de forma alguma, desleixo na produção do disco. Criadas coletivamente pelo grupo, as músicas nunca foram trabalhadas em tantos detalhes como agora. Dos versos aos timbres, tudo era discutido pela nova formação, em um processo que muitas vezes beirou o tenso e o ridículo, mas do qual todos saíram satisfeitos.
E tampouco pode-se classificar “Quase” como um disco pessimista. A música-título traz a chave: “Não é tristeza, não é derrota / Quase me alegra saber que me falta / O que faz feliz”. Mais do que o amadurecimento pessoal e a perda da ingenuidade, o novo disco dos Ecos Falsos aponta que a alegria não está só na vitória, mas também (e com muito mais frequência) na percepção que algo sempre estará faltando. E é isso, a nossa própria imperfeição, que nos move adiante.
PS: Outra vantagem do título é poupar esforço dos críticos preguiçosos: se o disco não agradar, basta dizer que os Ecos Falsos “quase conseguiram” dessa vez. Para nós, não importa tanto. Nunca ficamos tão satisfeitos com um trabalho e, independente da direção, sabemos que foi um passo e tanto.
Novembro/2009
Marcadores: breaking news, disco novo









6 Comentários:
Agora o próximo passo é fazer um disco emotivo, no bom sentido - como se a ironia de fanfa pudesse ser traduzida em sensibilidade emo tardia...
No terceiro disco quem vai comandar a mesa de som serei eu, ok? hihihihi
Afinal, fiquei zuretinha com essa capa que me leva aos meus recônditos de epiléptico-mirim!
abs
abs
Amei.
Capa e Conceito.
Quero ouvir o som.
Prenda o Thadeu
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